O efeito Clubhouse e a percepção de valor de marca

O que começou como um aplicativo para facilitar a interação entre músicos e se popularizou como um meio de reunir e facilitar a comunicação da comunidade negra nos EUA, se tornou rapidamente um dos maiores “booms” da era pós Facebook / Instagram / Whatsapp, remontando aos dias de início do queridinho do Brasil e falecido (que Deus o tenha com carinho) Orkut. Eu particularmente imagino que seus desenvolvedores não imaginaram o tamanho da rápida expansão que o ClubHouse tomaria. Mas aconteceu, para a felicidade deles e nossa que acessamos conteúdos incríveis.

O app exclusivo para iOS, é muito simples e prático, além da sua usabilidade agradável e fluida. Nada mais que uma rede social onde os usuários acessam o conteúdo apenas pelo celular e através de convites de usuários reais. Lá não existem likes, posts, textões ou postar foto do prato de comida ou saída da academia. Esses fatores agregados a infinitas possibilidades de conexões improváveis, fizeram com que grandes nomes como Elon Musk usassem o app, até por desejarem deixar pra trás os gigantes famosos pelo tracking de dados (aqui já fica mais uma lição de percepção de valor de marca. Não importa seu tamanho ou inteligência, se você ferir seu consumidor, perdê-lo será inevitável). Nesse momento suas ações explodem em crescimento, juntamente com o número de usuários.

Essa é a nova casa dos grandes CEOs, empreendedores, designers, músicos, empresários, escritores e uma gigantesca e sem precedentes miscelânea de pessoas e tribos, se conectando e compartilhando pensamentos, conhecimento, dicas e experiências. Qual o poder disso? Extremo! Hoje mesmo eu estive numa sala com Stefan Sagmeister. Quem é designer sabe o que é estar numa sala ao vivo, com a possibilidade de interagir com uma lenda viva do design. É como um músico tivesse a oportunidade de estar numa sala de bate papo (como aquelas de telefone que eram muito populares nos anos 90 e faziam o terror de mães e pais com contas de telefone astronômicas) com Bach, Ray Charles, Elvis, Lenon ou Jobim. O nível de democratização de acesso a informações conseguiu ser tão expansivo e muito maior que o próprio Twitter, além de mais organizado, uma vez que a rede forma “microambientes auto sustentáveis” onde os moderadores de cada sala escolhem quem pode falar, moderam os assuntos, ajudam pessoas a performarem e todo esse ecossistema gera negócios, fluxo de informações e uma grande troca de conhecimento e experiências. Eu particularmente acredito que seus idealizadores ainda estão analisando esse cenário tão promissor e intenso.

Aí você me pergunta, depois de toda essa ladainha, o que tem a ver percepção de valor de marca com esse app? Como brand designer, eu não posso deixar de provocar você a uma simples pergunta:

Photo by Adem AY on Unsplash

Você conhece o logotipo da rede social mais falada no mundo inteiro nas últimas semanas?
Pois é.

Não há muito o que dizer, apenas lições e muita observação desse case que podemos dividir em dois pontos, sendo o próprio ClubHouse e as marcas representadas dentro da rede.

Pensando em ClubHouse como marca, empresa, negócio, vemos uma grande desconstrução de conceitos, mas que prova o valor do branding de verdade, que constrói experiências capazes de gerar profundas marcas na vida das pessoas, resolvendo problemas que por vezes nem mesmo o usuário sabia que tinha, como por exemplo, a falta de um canal para estabelecer trocas reais com pessoas relevantes de forma integrada ao seu dia a dia. A grande chave do ClubHouse, para mim, está no seu ecossistema, está nas pessoas e em ser esse hub universal de desenvolvimento. É claro que existem pontos que precisam ser provados pelo tempo, mas é no mínimo crucial a virada que já promoveram, oferecendo antes de tudo a experiência e por último o seu próprio rosto, até porque quem ilustra o app são usuários reais convidados.

Já para as empresas que estão no ClubHouse e são representadas por pessoas, só nos faz refletir o que vem sendo dito há tanto tempo, no batido discurso da empatia, mas que poucos negócios tiveram a coragem de encarar. Isso só nos faz lembrar do quão humanos nós nunca deixamos de ser e não deveríamos ter nos esquecido (como empresários, clientes ou empregados). Além do que, as tendências dos últimos anos já traziam grandes pressões por uma revolução na relação entre marcas e pessoas, a disrupção digital e a necessidade da inclusão, empatia, moral e confiabilidade das marcas, criando ambientes de inovação, acessibilidade, construção e apoio a pessoas e comunidades locais.

Photo by Good Faces on Unsplash

O ClubHouse não é, na minha opinião, um lugar para marcas. Ele é um lugar para experiências e informação. É ali que vou conhecer o CEO, o gerente ou o estoquista de uma companhia e por compartilhar e trocar conhecimento e experiências eu serei impactado pela sua cultura de marca. Isso tudo sem gastar dinheiro com um anúncio, ou veiculações mirabolantes e pouco humanas, mas sim investindo na parte mais importante, o capital humano.

Eu não entrei no ClubHouse por conta da sua marca incrivelmente bonita e com grids bem definidos. Eu e meio mundo e possivelmente você, entramos pelas pessoas. Pela experiência, pelas histórias, pelo networking e pelas possibilidades reais que existem lá. Fica a dica para os amigos empresários que investem no Instagram como canal, invistam em transmitir conteúdos que agreguem verdade ao seu consumidor. As percepções de valor, mais do que nunca passam pelo filtro automático da confiança. Muito mais do que o seu discurso bem construído, se você não for o que você diz, você não será uma opção para o consumidor que não é mais do futuro, é o que estará com os olhos e ouvidos sobre o seu conteúdo a qualquer momento.

Quer ajuda para ser relevante na vida das pessoas e oferecer experiências reais para elas? Espero o seu contato!

Designer Cristão escrevendo sobre sua relação com o Reino, Branding, Criatividade, Negócios, Design e Tipografia. Conta alt. @LostEmpire

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